Tomou a vacina contra a dengue do Butantan? Saiba o que fazer
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, de caráter estritamente preventivo, foi tomada após a notificação de eventos adversos graves em uma parcela mínima de pessoas que receberam o imunizante. Equipes técnicas do Ministério, da Anvisa e do próprio Instituto Butantan já iniciaram uma apuração minuciosa para determinar se há relação causal entre a vacina e os quadros relatados.
Por que o imunizante foi pausado?
Até o momento, foram registrados 42 eventos adversos em um universo de aproximadamente 500 mil pessoas vacinadas — o que representa uma taxa inferior a 0,01% dos casos. Desse grupo, três notificações motivaram a pausa preventiva para análise: duas mortes e uma internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde o paciente já recebeu alta.
Os indivíduos apresentaram sintomas compatíveis com o quadro de dengue grave dias após a vacinação. A junta médica investiga se as reações foram desencadeadas pelo imunizante, por uma infecção prévia/concorrente pelo vírus selvagem da dengue ou por comorbidades e outros fatores de saúde preexistentes.
Quem já tomou a vacina precisa se preocupar?
Médicos e infectologistas são categóricos: não há necessidade de pânico. A suspensão temporária faz parte dos protocolos internacionais mais rígidos de farmacovigilância e demonstra que o sistema de monitoramento do SUS é ativo e eficiente.
"A suspensão temporária não significa que as pessoas vacinadas estejam em risco ou que a vacina tenha deixado de ser eficaz. É apenas uma interrupção de uso enquanto os dados são avaliados", explica a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora de vacinas na Dasa.
As reações comuns e esperadas incluem apenas dor local, vermelhidão e febre baixa, que desaparecem sozinhas em poucos dias. Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), eventos adversos pós-vacinais costumam se manifestar de forma precoce. Portanto, quem recebeu o imunizante há mais de 21 dias não tem motivos para rastrear novas reações associadas à dose.
Orientações para Estados e Municípios
Enquanto a investigação técnica prossegue sem prazo definitivo de término, o Ministério da Saúde orientou que estados e municípios interrompam novos agendamentos e aplicações do imunizante do Butantan. As autoridades reforçam que a principal arma contra a doença continua sendo o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti, evitando o acúmulo de água parada em residências e espaços públicos.