Novo remédio contra Alzheimer pode reduzir declínio cognitivo em 50%
Uma nova terapia experimental para a doença de Alzheimer apresentou resultados históricos e promissores em um estudo internacional e recebeu sinal verde para avançar para a Fase 3 — a última e mais rigorosa etapa de testes antes de um possível pedido de aprovação definitiva pelas agências reguladoras de saúde.
O anúncio foi feito durante a Alzheimer’s Association International Conference (AAIC) 2026, em Londres. Desenvolvido pela farmacêutica Biogen, o medicamento inovador chama-se diranersen (BIIB080) e traz uma abordagem totalmente revolucionária: em vez de combater as tradicionais placas da proteína beta-amiloide (alvo dos remédios atuais), ele atua diretamente na redução da proteína tau, o marcador biológico mais fortemente associado à destruição dos neurônios e ao avanço agressivo da perda de memória.
O Estudo CELIA: Como o Medicamento Funciona
O cérebro de um paciente com Alzheimer é marcado pelo acúmulo de duas substâncias: a beta-amiloide (que forma placas entre os neurônios) e a tau (que cria emaranhados tóxicos dentro das próprias células nervosas). Ao focar na proteína tau, o diranersen consegue desacelerar diretamente o comprometimento de funções vitais como memória, atenção e raciocínio.
A terapia é administrada por via intratecal (através de uma punção lombar), o que permite que o medicamento seja injetado diretamente no líquido cefalorraquidiano que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal.
O estudo clínico de Fase 2, batizado de CELIA, acompanhou minuciosamente 416 pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer ao longo de 18 meses. Os principais achados científicos incluíram:
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Eficácia Cognitiva: Redução de até 50% no ritmo do declínio cognitivo dos pacientes, dependendo da escala médica utilizada;
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Ação Direta no Cérebro: Diminuição expressiva de 50% a 65% da proteína tau livre no líquido cerebral;
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Segurança Comprovada: Perfil de segurança altamente favorável, sem nenhum registro de edema cerebral (uma complicação conhecida como ARIA, comum em terapias focadas na beta-amiloide).
Resultados Surpreendentes na Menor Dose
Durante a pesquisa, os cientistas avaliaram três dosagens diferentes do diranersen. Curiosamente, a menor dose testada — de 60 mg aplicada a cada 24 semanas (duas vezes ao ano) — foi justamente a que entregou os melhores e mais robustos resultados clínicos.
Na comparação direta com o grupo que recebeu placebo, essa dose reduzida freou o declínio cognitivo em 26% na escala de demência CDR-SB, em 42% na escala neuropsicológica ADAS-Cog13 e em impressionantes 50% no Mini-Mental (MMSE), um dos testes mais famosos e tradicionais do mundo para avaliar a memória de curto e longo prazo.
Embora o estudo não tenha atingido o seu objetivo matemático inicial — que previa um benefício progressivamente maior conforme a dose aumentava —, a Biogen destacou que cinco dos seis desfechos de saúde analisados favoreceram amplamente o medicamento. Essa consistência foi o pilar que sustentou a decisão de iniciar imediatamente a Fase 3 dos testes globais.
Por se tratar de uma substância em fase de testes, o diranersen ainda não está disponível para uso comercial ou prescrição médica nos hospitais. A próxima etapa de testes reunirá milhares de voluntários ao redor do mundo para carimbar em definitivo a segurança e a eficácia da medicação antes que ela chegue às farmácias.