Esposa de delegado é presa por desvio de R$ 2,2 de milhões da Educação

Janeiro 29, 2026 - 12:20
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Esposa de delegado é presa por desvio de R$ 2,2 de milhões da Educação
Reprodução/Redes Sociais

A esposa do delegado Dannilo Ribeiro Proto, que está preso desde agosto do ano passado, foi detida nesta terça-feira (27/1), em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), Karen Proto teria levado um aparelho celular ao marido enquanto ele estava custodiado na Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia.

De acordo com o MP-GO, Karen também é apontada como integrante de uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes envolvendo recursos da educação pública. O grupo teria participado de mais de 40 licitações e movimentado cerca de R$ 2,2 milhões. Entre 2019 e 2024, Karen ocupou o cargo de coordenadora regional de Educação em Rio Verde.

Durante a ação desta terça-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão para recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que podem reforçar as provas já reunidas na investigação.

Comunicação mesmo com líder preso

Segundo o Ministério Público, mesmo após o afastamento e a prisão de Dannilo Proto, a organização criminosa teria continuado em atividade por meio de pessoas próximas a ele. As investigações apontam que a comunicação mantida com o delegado preso teria sido utilizada para repassar orientações e alinhar estratégias relacionadas ao suposto esquema criminoso.

Os promotores afirmam que Karen ocupava um cargo estratégico na área educacional e, a partir dessa posição, teria facilitado decisões administrativas que garantiam a continuidade de contratos considerados irregulares. As apurações indicam ainda que ela atuava na circulação de informações e diretrizes entre os integrantes do grupo, mesmo com o principal investigado já sob custódia.

Além de Karen e do marido, outras pessoas apontadas como membros da organização criminosa também foram denunciadas pelo MP-GO.

“Constam da peça acusatória os demais integrantes que cometeram crimes por meio do Programa Reformar e de outros programas de obras e serviços da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), além da impressão do material pedagógico do Revisa Goiás”, informou o órgão.

Operação Regra Três

Preso desde 21 de agosto, o delegado Dannilo Ribeiro Proto foi denunciado pelo MP-GO por desvio de recursos destinados a escolas estaduais de Rio Verde, além de fraudes em contratações públicas. Ele e outras pessoas são alvos da Operação Regra de Três.

Segundo o Ministério Público, em razão da complexidade do esquema e do grande número de investigados, serão apresentadas duas denúncias distintas. O delegado responde por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, ameaça, prevaricação, contratação direta ilegal, peculato, falsificação, uso de documento particular e lavagem de capitais.

A Operação Regra de Três foi deflagrada em 21 de agosto com o objetivo de desarticular uma suposta organização criminosa liderada pelo delegado e sua esposa. A promotoria apura suspeitas de fraudes em contratos públicos e direcionamento ilegal de recursos destinados principalmente a reformas e obras em escolas da rede estadual de ensino.

O MP-GO estima que, desde 2020, o esquema tenha desviado mais de R$ 2,2 milhões dos cofres públicos. A Justiça determinou o bloqueio de contas e a apreensão de bens dos investigados para fins de ressarcimento ao erário.

Outro lado

A coluna Na Mira informou que não conseguiu localizar a defesa de Karen Proto. O espaço permanece aberto para manifestações.