Reviravolta: polícia suspeita de ritual em caso de homem esquartejado
A investigação sobre o brutal assassinato e esquartejamento de Kaio Paulo Leite, ocorrido no último dia 23 de maio em Amparo, no interior de São Paulo, ganhou contornos ainda mais sombrios. Um exame pericial utilizando a substância química luminol revelou marcas de sangue ocultas sob um altar de veneração não convencional dentro da residência de Beatriz Jacinto, prima da vítima e apontada como o pivô do crime. A descoberta técnica reforça a linha de investigação da Polícia Civil de que a morte pode ter sido executada como parte de um ritual macabro.
A "Casa do Terror" e os Objetos Apreendidos
A residência onde o crime ocorreu passou a ser chamada de "Casa do Terror" por moradores locais e pelos próprios policiais devido à gravidade do cenário. No imóvel, além do sangue detectado pelo luminol, os agentes apreenderam um arsenal composto por facas, canivetes e um livro com forte cunho ritualístico.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Sandro Montanari Ramos, o livro literário apreendido possui um histórico sombrio no cenário policial brasileiro. Trata-se do mesmo tipo de manual místico carregado por Lázaro Barbosa — o criminoso que mobilizou centenas de policiais em uma caçada de 20 dias em Goiás, no ano de 2021, após cometer uma série de assassinatos.
Versão de Legítima Defesa Contestada
Até o momento, duas pessoas foram presas pelo crime: Beatriz Jacinto e seu atual namorado, Lucas Eduardo. Em seus depoimentos, Lucas assumiu a autoria material dos golpes e indicou os cinco pontos diferentes da cidade onde havia espalhado as partes do corpo de Kaio. Ele alegou que agiu motivado por arrependimento e em "legítima defesa", afirmando que a vítima assediava Beatriz há anos.
Contudo, a tese de legítima defesa perdeu força e é fortemente contestada pelas autoridades. A Polícia Civil apurou que Kaio e Beatriz tiveram um relacionamento amoroso consensual no passado e, mesmo após o término, mantinham um histórico de bom convívio e mensagens amigáveis. A investigação confirmou que o casal de suspeitos frequentava cemitérios da cidade durante a madrugada para a realização de rituais. A polícia agora trabalha para descobrir se o crime foi planejado com antecedência ou se os autores aproveitaram uma oportunidade para executar a vítima.
Devido à extrema gravidade, repercussão social e clamor público que tomou conta da região, Beatriz Jacinto foi transferida nesta semana da cadeia pública feminina de Piracaia diretamente para o Presídio Feminino de Tremembé, complexo conhecido por abrigar presas de casos de grande repercussão nacional. O inquérito segue ativo para mapear se houve o sacrifício de animais no local antes da execução humana.