Pai é preso após confessar ter agredido e matado bebê de 3 meses
Uma investigação rápida e precisa da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) terminou na prisão de um homem de 25 anos e de uma mulher de 22 anos, suspeitos de envolvimento direto na morte do próprio filho, um bebê de apenas 3 meses de vida. O caso, registrado na madrugada desta quarta-feira (3/6) em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, foi confirmado oficialmente pelas autoridades policiais nesta quinta-feira (4/6).
A Farsa do Engasgamento e o Alerta do Médico
A Polícia Militar (PM) foi acionada para isolar o local após uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatar o óbito do bebê na residência da família. Durante os procedimentos padrão de avaliação do corpo, o médico plantonista identificou múltiplos hematomas recentes e severos no rosto da criança. Suspeitando imediatamente de violência doméstica, o profissional acionou as forças de segurança.
Ao ser confrontado pelas equipes policiais em seu primeiro depoimento, o pai da criança apresentou uma versão defensiva. Ele alegou que o filho possuía uma deficiência congênita que dificultava a ingestão de alimentos e que o bebê teria sofrido um engasgamento grave com leite materno. O homem afirmou que ligou para o Samu e recebeu instruções por telefone para realizar manobras de desobstrução das vias aéreas. Segundo a sua versão inicial, ele teria apertado o corpo do recém-nascido com muita força no desespero do socorro, o que justificaria as marcas roxas.
O Desmoronamento do Álibi e a Confissão
A versão do pai perdeu sustentação técnica assim que os peritos da Polícia Civil realizaram os exames preliminares no corpo do bebê. O laudo necroscópico constatou múltiplos traumatismos cranianos graves, lesões internas totalmente incompatíveis com manobras de salvamento respiratório e plenamente equivalentes a agressões físicas intencionais.
Pressionado pelas evidências científicas coletadas, o homem de 25 anos prestou um novo depoimento na delegacia de plantão, onde acabou confessando ter espancado o próprio filho. Paralelamente, os investigadores descobriram indícios médicos de que a criança já vinha sofrendo uma rotina oculta de agressões e maus-tratos anteriores ao longo das suas poucas semanas de vida.
Mãe Presa por Omissão e o Destino da Irmã
A mãe do bebê, de 22 anos, também recebeu voz de prisão das autoridades. De acordo com o inquérito policial, as evidências apontam que ela tinha pleno conhecimento de que o companheiro agredia o recém-nascido de forma recorrente e, mesmo diante do risco iminente de morte, não acionou a polícia, não buscou proteção social e não tomou medidas eficazes para interromper o ciclo de violência. Por esse motivo, ela foi autuada por coautoria decorrente de omissão.
O casal possuía uma outra filha, uma menina de apenas 2 anos de idade. Devido à prisão em flagrante de ambos os pais e para garantir a sua integridade física e psicológica, a criança foi acompanhada de perto por assistentes do Conselho Tutelar de Uberlândia e acabou sendo entregue provisoriamente aos cuidados de familiares próximos. O pai responderá por homicídio qualificado por motivo fútil e tortura, enquanto a mãe segue detida à disposição do Poder Judiciário.