Médica é afastada após chamar agente de saúde de “evangélica do demônio” em vídeo

junho 13, 2026 - 16:06
 0
Médica é afastada após chamar agente de saúde de “evangélica do demônio” em vídeo

Uma médica que atuava na rede municipal de saúde de Serra Preta teve o contrato suspenso após a divulgação de um vídeo em que se refere a uma agente comunitária de saúde como “evangélica do demônio”. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou também à exoneração de um coordenador da Secretaria Municipal de Saúde.

Nas imagens, a médica comenta uma suposta orientação dada pela agente comunitária a um paciente hipertenso e utiliza uma expressão considerada ofensiva para se referir à servidora.

“Tem uma evangélica do demônio que, em um dia de visita, mandou um paciente mastigar alho ao invés de tomar o remédio de pressão”, afirma a profissional durante a gravação.

Além da médica, um cirurgião-dentista que aparece no vídeo também faz comentários sobre a religião da agente de saúde, integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em determinado momento, ele utiliza termos pejorativos ao se referir à servidora.

Prefeitura afasta profissionais

Após a repercussão do vídeo, a Prefeitura de Serra Preta divulgou uma nota oficial repudiando a conduta dos profissionais envolvidos.

Segundo a administração municipal, o conteúdo divulgado demonstra desrespeito e afronta aos princípios éticos que devem nortear o serviço público.

Diante da gravidade do episódio, a prefeitura informou que os envolvidos foram imediatamente afastados de suas funções.

O prefeito do município também assinou decreto exonerando o cirurgião-dentista Lucas Filipe Silva Carneiro do cargo de coordenador da Divisão de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde. Já a médica teve o contrato suspenso enquanto o caso é analisado.

Agente trabalha há 27 anos no município

A agente comunitária citada no vídeo atua há 27 anos no município e é reconhecida pelo trabalho desenvolvido junto à população local.

De acordo com a prefeitura, até o momento da divulgação da nota oficial, a servidora não havia registrado boletim de ocorrência relacionado ao caso.

A administração municipal informou ainda que não tinha conhecimento prévio sobre a suposta recomendação envolvendo o uso de alho para pacientes hipertensos mencionada pelos profissionais durante a gravação.

“Até o momento não é possível afirmar que essa prática ocorria sempre, uma vez que não havia qualquer registro ou comunicação prévia que chegasse ao conhecimento da administração”, destacou a prefeitura.

Apoio à servidora

Após o episódio, equipes das áreas de Saúde, Assistência Social e Psicologia foram mobilizadas para prestar acolhimento e acompanhamento à agente comunitária.

A prefeitura também manifestou solidariedade à profissional e aos demais agentes comunitários de saúde do município.

Compromisso com o respeito religioso

Na nota divulgada após a repercussão do caso, a gestão municipal reafirmou seu compromisso com o respeito à diversidade religiosa, à ética profissional e ao atendimento humanizado da população.

A administração classificou a conduta dos envolvidos como incompatível com os valores que regem o serviço público e informou que novas medidas poderão ser adotadas após a conclusão das apurações.

Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis novas sanções aos profissionais envolvidos.