Médica é afastada após chamar agente de saúde de “evangélica do demônio” em vídeo
Uma médica que atuava na rede municipal de saúde de Serra Preta teve o contrato suspenso após a divulgação de um vídeo em que se refere a uma agente comunitária de saúde como “evangélica do demônio”. O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou também à exoneração de um coordenador da Secretaria Municipal de Saúde.
Nas imagens, a médica comenta uma suposta orientação dada pela agente comunitária a um paciente hipertenso e utiliza uma expressão considerada ofensiva para se referir à servidora.
“Tem uma evangélica do demônio que, em um dia de visita, mandou um paciente mastigar alho ao invés de tomar o remédio de pressão”, afirma a profissional durante a gravação.
Além da médica, um cirurgião-dentista que aparece no vídeo também faz comentários sobre a religião da agente de saúde, integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em determinado momento, ele utiliza termos pejorativos ao se referir à servidora.
Prefeitura afasta profissionais
Após a repercussão do vídeo, a Prefeitura de Serra Preta divulgou uma nota oficial repudiando a conduta dos profissionais envolvidos.
Segundo a administração municipal, o conteúdo divulgado demonstra desrespeito e afronta aos princípios éticos que devem nortear o serviço público.
Diante da gravidade do episódio, a prefeitura informou que os envolvidos foram imediatamente afastados de suas funções.
O prefeito do município também assinou decreto exonerando o cirurgião-dentista Lucas Filipe Silva Carneiro do cargo de coordenador da Divisão de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde. Já a médica teve o contrato suspenso enquanto o caso é analisado.
Agente trabalha há 27 anos no município
A agente comunitária citada no vídeo atua há 27 anos no município e é reconhecida pelo trabalho desenvolvido junto à população local.
De acordo com a prefeitura, até o momento da divulgação da nota oficial, a servidora não havia registrado boletim de ocorrência relacionado ao caso.
A administração municipal informou ainda que não tinha conhecimento prévio sobre a suposta recomendação envolvendo o uso de alho para pacientes hipertensos mencionada pelos profissionais durante a gravação.
“Até o momento não é possível afirmar que essa prática ocorria sempre, uma vez que não havia qualquer registro ou comunicação prévia que chegasse ao conhecimento da administração”, destacou a prefeitura.
Apoio à servidora
Após o episódio, equipes das áreas de Saúde, Assistência Social e Psicologia foram mobilizadas para prestar acolhimento e acompanhamento à agente comunitária.
A prefeitura também manifestou solidariedade à profissional e aos demais agentes comunitários de saúde do município.
Compromisso com o respeito religioso
Na nota divulgada após a repercussão do caso, a gestão municipal reafirmou seu compromisso com o respeito à diversidade religiosa, à ética profissional e ao atendimento humanizado da população.
A administração classificou a conduta dos envolvidos como incompatível com os valores que regem o serviço público e informou que novas medidas poderão ser adotadas após a conclusão das apurações.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis novas sanções aos profissionais envolvidos.