Adolescente de 12 anos finge próprio sequestro para extorquir dinheiro da família
Uma família que reside no município de Itaiópolis viveu horas de profundo desespero e terror psicológico no que acreditavam ser o sequestro de sua filha, uma adolescente de apenas 12 anos. No entanto, o desfecho da ocorrência, solucionado pela Polícia Civil, trouxe uma reviravolta que chocou a comunidade local: a própria menor de idade havia planejado e executado o desaparecimento com o objetivo de extorquir dinheiro de seus familiares.
Mensagens de Madrugada e Desespero
O plano começou a ser executado por volta de 1 hora da manhã de segunda-feira (1º), quando a adolescente saiu sorrateiramente da residência onde mora com os pais. Pouco tempo após o desaparecimento, o celular da menina passou a enviar mensagens em um aplicativo de conversas, direcionadas aos familiares.
Nos textos, carregados de teor dramático, a adolescente afirmava que havia sido capturada por criminosos, que estava sofrendo agressões físicas no cativeiro e que os homens ameaçavam tirar sua vida. Em pânico, os pais acionaram imediatamente os órgãos de segurança pública, que deram início a uma força-tarefa de inteligência para rastrear o suposto paradeiro dos criminosos.
A Escalada do Resgate e a Descoberta
O caso ganhou contornos ainda mais graves no final da manhã, por volta das 11 horas. De acordo com o relatório da Polícia Civil, a abordagem dos supostos sequestradores mudou através do aparelho da vítima: as mensagens passaram a exigir valores financeiros específicos como resgate, estipulando que, caso o pagamento não fosse efetuado, a adolescente seria morta.
As negociações falsas e o envio de mensagens se intensificaram ao longo de toda a tarde. No entanto, cruzando dados de ERBs (Estações Rádio Base) e antenas de telefonia, os investigadores conseguiram quebrar o sigilo de localização do aparelho. Por volta das 17 horas, os policiais estouraram o endereço do suposto cativeiro: uma residência localizada na zona rural de Itaiópolis.
Ao entrarem no local, as equipes policiais constataram que não havia homens armados nem cativeiro. A adolescente encontrava-se sozinha, em segurança e operando o próprio celular para enviar as ameaças de morte e os pedidos de dinheiro à mãe e ao pai.
Diante dos fatos constatados em flagrante, a armação foi desfeita e a jovem confessou que o objetivo era conseguir os valores dos familiares. A adolescente foi conduzida à delegacia especializada e apreendida pela prática de ato infracional análogo ao crime de extorsão, ficando à disposição do Ministério Público e da Vara da Infância e da Juventude.