Professor que fingiu que esposa viva pelo WhatsApp é condenado a 30 anos
Pouco mais de dois meses após cometer um dos crimes mais chocantes e calculados da história recente de Mato Grosso do Sul, o professor Edson Campos Delgado foi condenado a 30 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. O julgamento, realizado pelo Tribunal do Júri de Anastácio nesta quarta-feira (27), selou o destino do educador, considerado culpado pelo feminicídio qualificado de sua esposa, Leise Aparecida Cruz, de 41 anos. O caso, marcado por mentiras deslavadas e frieza digital, mobilizou a comunidade local que clamava por justiça.
A Farsa do Remédio e do Suicídio
O crime aconteceu no dia 6 de março deste ano, quando Leise foi encontrada morta dentro da residência onde morava com o marido. Desde o início do isolamento da cena, Edson tentou manipular os investigadores da Polícia Civil apresentando versões completamente desconexas para se livrar do flagrante. Inicialmente, o professor sustentou de forma cínica que a esposa havia sofrido um mal súbito fulminante após ingerir medicamentos para emagrecimento. Dias depois, ao perceber a desconfiança dos agentes, ele mudou o roteiro e sugeriu que a mulher teria cometido suicídio.
No entanto, o trabalho minucioso da perícia forense desmoronou o plano do réu. Os laudos necroscópicos identificaram marcas severas de agressão física e sinais claros de asfixia mecânica (esganadura). Encurralado pelas evidências científicas, o professor recuou e admitiu ter tido uma forte discussão com Leise, confessando que apertou o pescoço da esposa até que ela parasse de respirar.
Mensagens Macabras para a Enteada
O ponto que mais estarreceu os investigadores e o Conselho de Sentença foi a conduta de Edson logo após o assassinato. Para ganhar tempo e simular que Leise ainda estava viva, o professor pegou o aparelho celular da esposa morta e passou a digitar e enviar mensagens de texto para a filha dela. A farsa digital tinha o objetivo de afastar suspeitas e atrasar a descoberta do corpo, demonstrando um nível de perversidade que pesou fortemente na dosagem de sua pena.
Durante a sessão de julgamento, que durou horas de intensos debates entre a acusação e a defesa, a tese de feminicídio com qualificadoras prevaleceu de forma unânime entre os jurados. Amigos e familiares da vítima lotaram as dependências do Fórum de Anastácio vestindo camisetas e carregando cartazes. Nas redes sociais, a filha de Leise liderou uma campanha massiva relatando o sofrimento da mãe e exigindo punição severa. Com a leitura da sentença pelo magistrado, o professor saiu do banco dos réus direto para a viatura do sistema penitenciário, onde iniciará o cumprimento de sua longa pena de isolamento.