MP diz haver indícios de que médico preso por suspeita de abusar de aluna pode estar envolvido em outros casos de assédio

Janeiro 30, 2026 - 13:22
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MP diz haver indícios de que médico preso por suspeita de abusar de aluna pode estar envolvido em outros casos de assédio
Reprodução/Redes Sociais

O Ministério Público do Ceará (MPCE) informou que há indícios de que o médico e ex-professor universitário Yuri Portela, preso preventivamente nesta quinta-feira (29), em Quixadá, no interior do Ceará, possa estar envolvido em abusos contra outras vítimas além do caso que motivou sua prisão. As investigações seguem em andamento e o processo tramita em segredo de Justiça.

Yuri Portela é suspeito de abuso sexual e violência psicológica contra uma aluna de uma faculdade particular do município, onde atuava como docente. De acordo com o MPCE, a prisão preventiva foi decretada após surgirem elementos que indicam que o investigado teria se valido da posição de professor para constranger a estudante a manter relações de cunho sexual.

Segundo as apurações, o médico teria oferecido vantagens acadêmicas em troca dos favores, como acesso privilegiado a avaliações e concessão de pontos em trabalhos, configurando abuso de poder e violação da relação de confiança entre professor e aluna.

Ainda conforme o Ministério Público, além do episódio inicialmente investigado, surgiram “indícios de outras condutas possivelmente criminosas e de outras vítimas”, o que levou à ampliação das investigações para esclarecer completamente os fatos e identificar eventuais novos casos.

O órgão destacou que a prisão preventiva foi fundamentada não apenas na gravidade das denúncias, mas também na necessidade de garantir a ordem pública, preservar o andamento das investigações e evitar novas abordagens ou possíveis intimidações à vítima.

Defesa nega acusações

Em nota, a defesa de Yuri Portela afirmou que a decisão judicial se baseia “essencialmente em trechos isolados de conversas virtuais, cuja leitura foi realizada de forma descontextualizada”. Os advogados também classificaram a prisão preventiva como “desnecessária e desproporcional”.

Segundo a defesa, haveria “ausência de contemporaneidade”, uma vez que os fatos investigados teriam ocorrido há vários meses, argumento que, de acordo com os advogados, afastaria a necessidade da medida extrema de prisão.

Como denunciar

O Ministério Público do Ceará orienta que possíveis vítimas ou pessoas que tenham informações sobre o caso ou situações semelhantes procurem a Promotoria de Justiça responsável para agendar atendimento. A unidade funciona na Avenida Jesus Maria José, nº 31, no bairro Jardim dos Monólitos, em Quixadá.