Acusado de tentar matar ex-namorada a marretadas vai a julgamento
O Fórum de Boituva (SP) abre suas portas nesta terça-feira (17) para um dos julgamentos mais aguardados da região. Sentado no banco dos réus, Luis Raimundo Brito dos Santos responde pelo crime de tentativa de feminicídio contra sua ex-namorada, em um ataque de extrema violência que chocou o interior paulista em agosto de 2024.
O julgamento, previsto para começar às 9h, deve ser longo e emocionalmente desgastante. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o rito inclui o depoimento da vítima, a oitiva de cinco testemunhas de acusação e cinco de defesa, culminando com o interrogatório do réu.
Relembre o Crime
Na madrugada de 10 de agosto de 2024, a tranquilidade de Boituva foi interrompida pelos gritos de socorro vindos da residência da vítima, que na época tinha 52 anos. Segundo o registro da Guarda Civil Municipal (GCM), o filho da mulher abordou uma viatura em patrulhamento, relatando que o ex-namorado da mãe a estava agredindo violentamente com uma marreta.
Os golpes foram concentrados na região da cabeça, deixando a mulher em estado gravíssimo. Enquanto o agressor fugia, a vítima era socorrida às pressas pelo Samu e levada ao hospital municipal, iniciando uma longa batalha pela sobrevivência.
As Marcas da Violência
Embora tenha sobrevivido ao ataque brutal, a vítima carrega marcas indeléveis do crime. Conforme apurado pela TV TEM, a agressão resultou em sequelas neurológicas graves, incluindo a perda de memória. Além do dano físico, ela permanece em acompanhamento psicológico intensivo para tentar processar o trauma de ter sido alvo de um objeto contundente nas mãos de quem um dia teve sua confiança.
O Destino do Réu
Luis Raimundo Brito dos Santos chega ao tribunal sob a acusação de tentativa de feminicídio, crime qualificado pela condição de gênero e pela relação afetiva. A acusação foca na crueldade do meio utilizado e na impossibilidade de defesa da vítima durante a madrugada.
A decisão cabe agora ao corpo de jurados, que deverá decidir se o réu retornará para o sistema prisional para cumprir uma pena longa ou se as teses da defesa conseguirão abrandar o veredito. O desfecho deste caso é visto por grupos de proteção à mulher como um termômetro para o combate à violência doméstica na cidade.