VÍDEO | Travesti acusa dono de frigorífico da "Picanha Bolsonaro" de calote em programa

julho 10, 2026 - 16:16
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VÍDEO | Travesti acusa dono de frigorífico da "Picanha Bolsonaro" de calote em programa
Reprodução/Metrópoles

O empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás e amplamente conhecido no cenário nacional por criar a linha de carnes "Picanha de Bolsonaro", está no centro de uma grave acusação. Uma mulher trans de 19 anos, identificada pelo nome fictício de Aline* para preservar sua integridade, registrou um boletim de ocorrência contra o empresário na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Ela o acusa de transfobia, calote de R$ 500 após um atendimento e ameaças de morte.

Leandro, que acumula quase 3,5 milhões de seguidores somando suas redes sociais e o perfil de sua empresa, ganhou projeção nacional por sua forte ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e por postagens de cunho político conservador.

Desentendimento por Prática Sexual e Reconhecimento

De acordo com o boletim de ocorrência formalizado na noite de 15 de junho, poucas horas após o ocorrido, Aline atua como acompanhante de luxo e vinha sendo procurada pelo empresário desde 2024. Após trocas de mensagens pelo WhatsApp, um encontro foi agendado no apartamento da jovem por volta das 13h.

O documento policial aponta que o desentendimento começou durante o ato, motivado pelo tipo de serviço sexual que o empresário pretendia contratar.

"A declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual). Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, ela percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás", registra o boletim de ocorrência.

Ao reconhecer o cliente famoso, Aline passou a questioná-lo sobre a contradição entre ele contratar os serviços de uma mulher trans e, simultaneamente, manter publicações e discursos de teor transfóbico em suas redes sociais. A conversa rapidamente evoluiu para uma discussão acalorada. A acompanhante começou a filmar o empresário e afirmou que iria expor o caso na internet.

Tentativa de Suborno e Suposta Ameaça: "Mando Fazer o que Quiser"

Em trechos da gravação obtida pela coluna, Aline confronta o empresário sobre a forma como homens públicos atacam a comunidade LGBTQIA+ enquanto consomem seus serviços em segredo: "Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem... É por isso que vocês não querem que a gente use o banheiro das mulheres".

Ainda segundo o depoimento de Aline à Polícia Civil, após deixar o apartamento sem efetuar o pagamento combinado de R$ 500 pelo tempo de permanência, Leandro teria enviado mensagens oferecendo altas quantias em dinheiro para tentar comprar o silêncio da jovem e impedir a divulgação do vídeo.

Aline afirma que recusou categoricamente qualquer valor e que jamais praticou extorsão. Diante da recusa, o empresário teria partido para a intimidação psicológica. “A declarante esclarece que Leandro a ameaçou dizendo: ‘Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você’”, destaca o registro policial.

Histórico de Polêmicas e Alvos Políticos na Web

Leandro Batista Nóbrega construiu sua fama digital surfando na polarização política. Ele já foi alvo de decisões judiciais no passado, como quando instalou uma placa na porta de seu comércio com os dizeres "Petista aqui não é bem-vindo", que acabou sendo retirada por ordem legal. Seus vídeos no Instagram e TikTok envolvem a venda de cortes nobres com embalagens estampando os rostos de figuras como Donald Trump, Javier Milei e o jogador Neymar.

Paralelamente ao marketing de churrasco, o empresário frequentemente compartilha conteúdos ridicularizando a pauta de gênero e atacando diretamente parlamentares trans, como as deputadas federais Erika Hilton (PSol-SP) e Duda Salabert (PSB-MG), chegando a se referir a Erika por um nome masculino em tom de deboche.

A reportagem e a coluna tentaram contato direto com Leandro Batista Nóbrega e com a assessoria do Frigorífico Goiás para que pudessem se manifestar sobre as graves acusações da denúncia, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. O empresário bloqueou os perfis da equipe de reportagem nas redes sociais após as tentativas de entrevista. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações de sua defesa.