Nova técnica pode aumentar comprimento do pênis em homens trans

julho 6, 2026 - 08:49
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Nova técnica pode aumentar comprimento do pênis em homens trans

Uma técnica cirúrgica desenvolvida no Brasil promete representar um avanço na cirurgia de afirmação de gênero para homens trans. Batizado de TCM (Total Corpora Mobilization, ou Mobilização Total dos Corpos Cavernosos), o procedimento pode aumentar o comprimento do pênis sem comprometer características consideradas essenciais por muitos pacientes, como a ereção natural e a sensibilidade.

A técnica foi criada pelo urologista Ubirajara Barroso, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), e vem despertando interesse de pacientes brasileiros e estrangeiros.

A inovação é uma adaptação da metoidioplastia, procedimento que utiliza o clitóris hipertrofiado pela terapia hormonal para a construção do neofalo. Embora preserve a sensibilidade e a ereção espontânea, a técnica convencional costuma ter como principal limitação o tamanho final do órgão genital.

Segundo o urologista, a TCM foi desenvolvida justamente para superar essa limitação.

"A técnica busca aproveitar ao máximo as estruturas naturais do paciente, preservando a vascularização e a inervação", explica Barroso.

Como funciona a técnica

Originalmente criada para reconstrução peniana em pacientes com micropênis ou que perderam o órgão genital por traumas ou doenças, a TCM foi posteriormente adaptada para homens trans.

O procedimento consiste na mobilização dos corpos cavernosos — estruturas cilíndricas responsáveis pela ereção — que normalmente permanecem fixadas à pelve. Com a técnica, uma porção maior desse tecido é exteriorizada, contribuindo para um aumento no comprimento do pênis.

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De acordo com o especialista, os corpos cavernosos também estão presentes no clitóris, já que tanto o clitóris quanto o pênis se desenvolvem a partir do mesmo tecido durante a formação fetal.

Além do ganho de comprimento, a cirurgia inclui a reconstrução da uretra e da bolsa escrotal. Dependendo das características de cada paciente, também podem ser utilizados retalhos locais para aumentar a espessura do órgão genital. Em etapas posteriores, quando necessário, é possível realizar a conclusão da uretra e o implante de próteses testiculares ou penianas.

"Além do ganho de comprimento, fazemos rotações de retalhos locais para aumentar a espessura do órgão genital, sempre buscando preservar a função e a sensibilidade", afirma Barroso.

Paciente relata melhora na qualidade de vida

Um dos homens trans submetidos à técnica, que preferiu não se identificar, afirmou que decidiu realizar a cirurgia após confiar na avaliação da equipe médica e buscar durante anos um procedimento que atendesse às suas expectativas.

Segundo ele, o pós-operatório foi tranquilo, sem dores significativas ou complicações importantes, mesmo tendo sido um dos primeiros pacientes a passar pela nova técnica, que exigiu três etapas cirúrgicas.

"O resultado superou tudo o que eu imaginava. Além do ganho de comprimento, mantive a sensibilidade e consegui algo que nem era cogitado nas conversas antes da cirurgia: ter relações com penetração", relata.

O paciente afirma que os benefícios foram além da parte física. Segundo ele, a cirurgia proporcionou maior confiança na própria imagem e na vida sexual.

"Não foi uma validação para os outros, foi para mim. Hoje faço xixi em pé, descobri novas possibilidades com o meu corpo e sinto que alcancei uma completude que antes faltava", disse.

Diferenças entre os procedimentos

Na metoidioplastia convencional, o pênis é formado a partir do próprio clitóris aumentado pelo uso de hormônios, preservando a ereção espontânea e a sensibilidade, mas com limitações relacionadas ao tamanho.

Já a faloplastia utiliza enxertos de pele e tecidos retirados de regiões como o antebraço ou a coxa para construir um novo órgão genital, sendo geralmente realizada em várias etapas cirúrgicas.

Segundo Barroso, a principal vantagem da TCM é oferecer um maior ganho de comprimento sem abrir mão das características preservadas pela metoidioplastia.

O especialista ressalta que a escolha da técnica deve ser feita de forma individualizada, considerando a anatomia, os objetivos do paciente e a avaliação de uma equipe multidisciplinar. Além de homens trans, o procedimento também pode ser indicado para pacientes com micropênis ou para aqueles que perderam o pênis em decorrência de traumas ou doenças.