Ex que matou e colocou moedas na boca de empresária morre na cadeia
O caso da empresária Barbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, teve um desfecho inesperado fora dos tribunais. Manoel Ferro de Melo, de 38 anos, que confessou ter matado a ex-companheira em janeiro deste ano, foi encontrado morto na última sexta-feira (3/4) em sua cela na Penitenciária de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias da morte.
Manoel ocupava uma cela individual no momento em que foi localizado sem vida. A causa do óbito ainda não foi divulgada, mas a perícia técnica e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para determinar se houve suicídio, causas naturais ou intervenção externa.
Relembre o Crime: O "Barqueiro" de São Vicente
O assassinato de Barbara Denise chocou a polícia e o público pela frieza e pelos detalhes simbólicos deixados no apartamento da vítima, em São Vicente:
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Cena Ritualística: O corpo de Barbara foi encontrado com moedas posicionadas sobre os olhos, dentro da boca e em partes íntimas.
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Mitologia e Dinheiro: Em depoimento, Manoel afirmou que a disposição das moedas era uma referência a Caronte, o barqueiro da mitologia grega que transporta as almas pelo submundo. Ele alegou que o ato foi um "recado" após discussões sobre dinheiro e a recusa de Barbara em reatar o namoro.
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Asfixia: O laudo necroscópico confirmou que a empresária morreu por asfixia antes de ter a cena do crime alterada pelo agressor.
O Vídeo e o Presságio
A investigação contou com uma prova contundente: um vídeo gravado por Barbara um dia antes de sua morte. Nas imagens, a proprietária de uma clínica de bronzeamento aparecia chorando e implorando para que Manoel deixasse seu apartamento. Para a mãe da vítima, Edileia Moreira Folha — a primeira a encontrar o corpo —, as moedas não eram apenas mitologia, mas uma mensagem direta sobre os conflitos financeiros que o ex-companheiro gerava.
Implicações Jurídicas
Com a morte do réu confesso, ocorre a extinção da punibilidade. Isso significa que o processo criminal por feminicídio, e as possíveis acusações de tortura e vilipêndio de cadáver, serão arquivados, uma vez que não se pode condenar uma pessoa falecida.
A SAP informou que os familiares de Manoel já foram comunicados. A investigação sobre o que aconteceu dentro da cela individual segue sob sigilo administrativo, enquanto a comunidade de São Vicente ainda tenta processar a violência do crime original.