Mulher que mandou matar ex após ouvir conselho espiritual é condenada
O Tribunal do Júri de Ceilândia encerrou, nesta quarta-feira (25/3), um dos processos mais complexos da região administrativa. Sete pessoas foram condenadas pela morte de Geves Alves da Silva, ocorrida em abril de 2023. O crime, marcado por um planejamento meticuloso e motivações fúteis, foi executado no momento em que a vítima saía de um culto religioso na QNM 18.
A principal articuladora do crime foi a ex-esposa da vítima, Aila Lopes Neves. Segundo as investigações, ela teria buscado um "conselho espiritual" com uma mãe de santo para decidir sobre a morte do ex-companheiro. Aila foi condenada a 24 anos e 6 meses de prisão e, por determinação judicial, perdeu a guarda do filho que teve com a vítima.
A Estrutura do Crime
A denúncia aceita pelo júri apontou que o homicídio foi qualificado por uso de meio que gerou perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A execução foi dividida em núcleos de planejamento, intermediação e execução direta:
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As Mentoras: Aila (ex-esposa) e Stephanie Karoline (amiga que operacionalizou o plano) foram as cabeças da ação.
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O Apoio Espiritual: Francisca Diva, a mãe de santo, foi condenada por contribuir no planejamento intelectual do delito.
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A Logística: Nádia forneceu a arma, enquanto Ebeson atuou como a ponte entre mandantes e atiradores.
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Os Executores: Alex Sandro e Ezequiel realizaram o ataque de moto. Alex Sandro ainda responderá por tentar matar uma mulher que acompanhava Geves no momento dos disparos.
Tabela de Condenações
| Réu(na) | Função no Crime | Pena imposta |
| Ezequiel Severino | Condutor da moto e auxílio na fuga | 37 anos e 4 meses |
| Alex Sandro | Atirador (Execução e tentativa) | 31 anos e 9 meses |
| Aila Lopes | Ex-esposa e mandante | 24 anos e 6 meses |
| Stephanie Karoline | Operacionalização e logística | 21 anos e 10 meses |
| Ebeson Damião | Intermediador | 21 anos e 10 meses |
| Nádia Nonata | Fornecimento da arma | 18 anos e 9 meses |
| Francisca Diva | Mãe de santo (Planejamento) | 15 anos e 7 meses |
Prisão Imediata
Embora Aila e Stephanie estivessem respondendo em liberdade desde o ano passado, o juiz do caso determinou a prisão imediata de todos os sete envolvidos para o início do cumprimento da pena em regime fechado. A decisão baseia-se no entendimento de que condenações pelo Tribunal do Júri com penas superiores a 15 anos devem ter execução imediata, independentemente de recursos.
O caso encerra um ciclo de impunidade temporária e traz um desfecho para a família de Geves, que foi brutalmente assassinado em frente a uma instituição de fé.