Jovem de 24 anos morre de demência apenas dois anos após o diagnóstico
O britânico Andre Yarham, de apenas 24 anos, morreu após três anos enfrentando a demência frontotemporal — uma condição neurodegenerativa rara, mais comum em idosos e que provoca perda progressiva de memória, linguagem, raciocínio e autonomia. Considerado o paciente mais jovem já diagnosticado com a doença no Reino Unido, ele teve seu cérebro doado pela família para estudos que possam ajudar a esclarecer casos tão precoces.
A enfermidade, geralmente associada ao envelhecimento, leva à deterioração acelerada das funções cognitivas, tornando o paciente cada vez mais dependente. No caso de Andre, o avanço foi extremamente rápido. Quando a doença foi identificada, em 2024, ele tinha 22 anos, mas seus exames de imagem mostravam um cérebro semelhante ao de uma pessoa de 70.
Diagnóstico precoce e rápida piora
Andre passou os últimos meses internado em um centro de cuidados paliativos. Sua mãe, Sam Fairburn, contou que os primeiros sinais surgiram de forma sutil: o jovem, antes comunicativo, passou a ter dificuldades para manter conversas, repetia perguntas e se movimentava com lentidão.
Inicialmente, ele chegou a ser diagnosticado com autismo, mas Sam insistiu que havia algo além. Apenas após uma ressonância magnética os médicos descobriram a demência frontotemporal precoce.
A partir dos 23 anos, Andre passou a depender integralmente da mãe, que se tornou sua cuidadora. Nos meses finais, o estado piorou drasticamente — ele perdeu a fala, deixou de reconhecer familiares e já não conseguia realizar tarefas básicas de higiene e alimentação.
“Em setembro, ele estava em uma casa de cuidados ao lado de vários pacientes idosos. Andre já estava em cadeira de rodas e precisava ser içado. Não se lembrava mais de nós, então foi uma fase muito difícil”, relatou a mãe.
Família doa o cérebro do jovem para ciência
Após a morte, Sam decidiu doar o cérebro do filho para que pesquisadores possam entender melhor por que a doença se manifestou tão cedo.
“No futuro, se Andre tiver conseguido ajudar pelo menos mais uma família a ter mais alguns preciosos anos com um ente querido, isso significaria o mundo para nós”, disse ela ao The Sun.
Em uma homenagem publicada em um site memorial, Sam descreveu o filho como alguém de “coração de ouro”.
Alerta para sinais cognitivos em jovens
A mãe aproveitou o caso para fazer um apelo: pessoas que apresentem sintomas de confusão, dificuldade de comunicação ou lapsos de memória — mesmo muito jovens — devem buscar avaliação médica rapidamente.
“Se preocupem com seus entes queridos”, concluiu ela, reforçando a importância do diagnóstico precoce.
O caso de Andre, embora raro, chama atenção da comunidade médica e científica para o estudo de demências precoces, que ainda têm causas pouco compreendidas e exigem mais pesquisas para prevenção e tratamento.