Faccionado do TCP tenta executar rivais do CV mas é morto pela polícia
A morte de um integrante da facção Terceiro Comando Puro (TCP) marcou a madrugada desta terça-feira (06/01) em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, e representa uma baixa significativa no tráfico de drogas local. Welvison Aureliano Leal, conhecido como “Galo”, foi morto em confronto com policiais militares do 12º BPM (Niterói) no bairro do Fonseca, enquanto, segundo investigações, tentava executar rivais do Comando Vermelho (CV).
Apontado em processos na Justiça do Rio de Janeiro como o dono das bocas de fumo da comunidade do Santo Cristo, Galo era considerado uma das principais lideranças do TCP na região. Sua morte ocorre em meio a uma guerra violenta entre facções criminosas que se alastra pela cidade desde dezembro e já deixou mortos, feridos e moradores reféns do medo.
De acordo com a Polícia Militar, o confronto teve início durante patrulhamento pela Rua São Januário, quando agentes identificaram um carro com ocupantes em atitude suspeita. Ao receberem ordem de parada, os criminosos tentaram furar o bloqueio policial, dando início a uma troca de tiros. Cinco suspeitos foram atingidos: dois morreram no local, três foram socorridos ao Hospital Estadual Azevedo Lima, sendo que um deles não resistiu aos ferimentos, totalizando três mortos.
Guerra por territórios
Entre os mortos estava Galo, que, segundo a PM, possuía 13 anotações criminais, incluindo homicídio, roubo e tráfico de drogas, e tinha envolvimento direto em disputas territoriais no Fonseca. A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-NSG).
A morte de Galo é considerada uma baixa estratégica para o TCP, já que ele foi um dos responsáveis por iniciar a atual ofensiva da facção contra áreas dominadas pelo CV. Ao lado do traficante conhecido como Drill, Galo vinha comandando invasões a redutos rivais no Complexo do Fonseca (o chamado “Fonsequistão”), no Morro do Preventório, em Charitas, e no Morro do Estado, no Centro de Niterói.
O TCP chegou a reaver algumas comunidades do Fonseca e o Morro do Estado, enquanto o Comando Vermelho tenta recuperar as áreas perdidas. A disputa tem provocado intensos tiroteios durante as madrugadas, tirando o sono dos moradores, e já deixou inocentes baleados, inclusive na virada do ano. Homicídios também foram registrados recentemente na região do Fonseca.
Operações em andamento
O TCP estaria contando com reforços do Complexo da Maré e planeja avançar para outras áreas, como a Nova Brasília, na Engenhoca. A facção dominava o Fonsequistão e o Morro do Estado até 2021, quando foi expulsa pelo CV.
Em nota, a Polícia Militar informou que, como parte das ações de combate à criminalidade, policiais do 12º BPM, com apoio do 1º BPM e do Comando de Operações Especiais (COE), realizam operações nesta terça-feira nas comunidades Nova Brasília, Vila Ipiranga, Coreia, Coronel Leôncio, Palmeira, Pimba e Santo Cristo. O objetivo é conter as disputas entre facções e reforçar a segurança da população.
Durante uma dessas ações, houve novo confronto, um suspeito foi ferido e socorrido, e uma pistola com munições foi apreendida. As operações seguem em andamento.
A polícia mantém esforços para capturar Drill, outro apontado como responsável pela guerra. Ele é oriundo da facção Amigos dos Amigos (ADA), comandava a Favela do Sabão, em Niterói, e o Morro da Dita, em São Gonçalo. Com o enfraquecimento da ADA, teria migrado para o TCP e estaria escondido no Complexo da Maré.
Mais guerra
Além de Niterói, outra guerra antiga que se acirrou no último fim de semana em Costa Barros, na Zona Norte do Rio, entre traficantes dos complexos do Chapadão (CV) e da Pedreira (TCP). No último sábado (3/1), dois criminosos do TCP foram baleados e teriam sido atendidos em uma clínica clandestina na Favela de Acari.
No domingo, uma operação policial foi realizada na região, e criminosos atearam fogo em lixeiras para dificultar a ação dos agentes. Apesar da presença da PM, os tiroteios continuaram ao longo do dia. Na segunda-feira, dois traficantes da Pedreira foram mortos em nova operação policial, que resultou na apreensão de dois fuzis.
Para conter os ataques do CV, o TCP estaria contando com apoio de criminosos de outras áreas sob seu domínio, como os complexos de Israel, Serrinha e Maré, ampliando o risco de novos confrontos e mantendo a população sob constante tensão.