Homem-morcego do México quer salvar os "animais mais injustiçados da Terra"

agosto 18, 2025 - 20:06
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Homem-morcego do México quer salvar os "animais mais injustiçados da Terra"
Reprodução

Alvos de mitos, superstições e até da culpa por surtos de doenças, os morcegos carregam há séculos uma má reputação. No imaginário popular ocidental, são associados a vampiros, bruxas e ao sobrenatural. Porém, longe de serem símbolos do mal, esses mamíferos voadores desempenham funções vitais para o equilíbrio dos ecossistemas.

É essa visão que o ecólogo Rodrigo Medellín, professor da Universidade Nacional Autônoma do México, vem tentando transformar ao longo de sua carreira. Conhecido como o “Batman do México”, ele dedicou a vida à pesquisa e à defesa dos morcegos.

Fascínio desde a adolescência

O interesse de Medellín começou aos 13 anos, quando segurou um morcego pela primeira vez. “Foi quando decidi dedicar minha vida ao estudo e à proteção deles”, recorda. Desde então, cavernas se tornaram o lugar onde se sente mais em paz.

Ao longo de 35 anos de trajetória, ele fundou a Rede Latino-Americana para a Conservação de Morcegos e a Global South Bats, além de receber prêmios internacionais. Hoje, integra a Iniciativa Perpetual Planet da Rolex.

Guardiões invisíveis

Existem mais de 1.400 espécies de morcegos no mundo — cerca de um quinto de todos os mamíferos conhecidos. São os únicos mamíferos capazes de voo motorizado e utilizam uma ecolocalização precisa para caçar no escuro.

Apesar de sua importância, enfrentam declínio populacional devido à perda de habitat, uso de pesticidas, turbinas eólicas e doenças como a síndrome do nariz branco.

O impacto de sua ausência seria enorme:

  • Uma única colônia de 30 milhões de morcegos, no norte do México, consome 300 toneladas de insetos por noite, ajudando no controle de pragas agrícolas.

  • Espécies frugívoras atuam na dispersão de sementes, fundamental para a regeneração de florestas.

  • Outras são polinizadoras de plantas-chave, como o agave, utilizado na produção de tequila.

“Imagine perder os morcegos de uma noite para o dia. Nossas plantações seriam devastadas por insetos, os mosquitos se multiplicariam e a vida como conhecemos mudaria”, alerta Medellín.