Força-Tarefa apreende 2,2 toneladas de comida podre e vencida há 4 anos em mercado após denuncia
Uma megaoperação de fiscalização coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) interditou estruturas e retirou de circulação mais de 2,2 toneladas de produtos totalmente estragados e impróprios para o consumo humano. A ação ocorreu nesta terça-feira (7/7) no município de Constantina, no norte do estado, e mirou três supermercados e um açougue da região. Todos os quatro estabelecimentos foram autuados e multados pelas autoridades.
De acordo com o relatório oficial emitido pelo MPRS, os agentes encontraram cenários alarmantes durante as vistorias, incluindo grandes quantidades de carne sem procedência legal e alimentos com prazos de validade absurdamente expirados.
Câmara Fria Interditada por Falta de Higiene e Produtos Vencidos Desde 2022
O caso mais grave foi registrado em um dos açougues fiscalizados. No local, os agentes constataram sérios problemas no armazenamento e no controle de temperatura das proteínas, além do fracionamento completamente inadequado de alimentos de origem animal. Diante das “péssimas condições de higiene”, a câmara fria do estabelecimento foi interditada imediatamente.
Nas prateleiras e depósitos dos quatro locais vistoriados, a equipe da força-tarefa recolheu uma enorme variedade de comida podre. Entre os itens descartados estavam carnes vermelhas, pescados, embutidos, ovos, leite, iogurtes, conservas, pratos congelados, salgados de padaria e pizzas prontas.
A audácia de alguns comerciantes chamou a atenção dos agentes.
“Os fiscais encontraram ainda envoltórios para embutidos vencidos há quatro anos e temperos com prazo de validade expirado há mais de dois anos”, detalhou a nota oficial enviada pelo MPRS.
Carne Apreendida Vira Alimento para Animais de Zoológico
Além dos alimentos tradicionais estragados, as equipes recolheram lotes de cachaça, aipim descascado, vinho e queijo produzidos de forma clandestina, além de dezenas de unidades de álcool líquido de alta graduação cuja comercialização em mercados é estritamente proibida por lei.
Um desfecho incomum foi dado a parte do material apreendido: após passar por uma rigorosa avaliação técnica de médicos veterinários para garantir a segurança biológica, uma quantidade significativa da carne vencida foi doada para o Zoológico de Passo Fundo para servir de alimento aos animais carnívoros do parque.
A operação em Constantina foi desencadeada pela Força-Tarefa do Programa Segurança dos Alimentos do MPRS. O grupo especial de combate ao crime conta com o apoio estratégico do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRS), além de médicos veterinários do Estado, agentes da Vigilância Sanitária Municipal e da Secretaria da Agricultura.