Antes de morrer com tiro de PM, mulher reclamou que viatura bateu nela

abril 7, 2026 - 13:25
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Antes de morrer com tiro de PM, mulher reclamou que viatura bateu nela
Reprodução

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) trata com "prioridade absoluta" a investigação da morte de Thawanna Samázio, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (3/4). O caso, que envolve um disparo efetuado pela soldado de 2ª classe Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, ganhou novos contornos após a divulgação de áudios de câmeras de monitoramento que captaram o diálogo momentos antes do tiro fatal.

No registro, é possível ouvir Thawanna confrontando a equipe policial: "Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi". A frase corrobora a versão do marido da vítima, Luciano Gonçalves, de que a viatura teria passado em alta velocidade, quase atropelando o casal na Rua Edimundo Audran.

O Confronto de Narrativas

O inquérito agora confronta dois depoimentos distintos sobre o que aconteceu nos segundos que antecederam o disparo:

Ponto de Conflito Versão da Soldado Yasmin (PM) Versão de Luciano (Marido)
Início do Atrito O casal discutia e Luciano "esbarrou o braço" na viatura ao passar. A viatura passou rápido demais, quase os atingindo; Thawanna reclamou.
Comportamento Casal estava embriagado; Thawanna apontou o dedo no rosto da PM e a agrediu. Não houve abordagem; a policial já desceu do carro efetuando o disparo.
Uso da Força Houve necessidade de conter Luciano, que gesticulava agressivamente. Luciano tirou a blusa e colocou a bolsa no chão para mostrar que não era ameaça.

Imagens Pós-Disparo

Vídeos gravados por testemunhas logo após o crime mostram o desespero de Luciano e a revolta de moradores. Thawanna aparece caída com um ferimento no peito, enquanto um dos policiais tenta prestar socorro. Nas gravações, moradores gritam contra a soldado Yasmin, chamando-a de "despreparada".

Medidas Oficiais

A soldado Yasmin Cursino foi imediatamente afastada das funções operacionais. Ela é alvo de dois procedimentos simultâneos:

  1. Inquérito Policial Militar (IPM): Para apurar a conduta técnica e disciplinar dentro da corporação.

  2. Inquérito da Polícia Civil: Para apurar a responsabilidade criminal pelo homicídio.

A Corregedoria da PM acompanha o caso e já solicitou as imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos, que serão o fiel da balança para confirmar se Thawanna representava, de fato, algum risco que justificasse o uso de munição letal.