Mulher é presa por engano após ser confundida com irmã gêmea

março 24, 2026 - 09:47
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Mulher é presa por engano após ser confundida com irmã gêmea
Divulgação/MPPI

O que era para ser uma tarde comum de trabalho transformou-se em um trauma profundo para Lucilene, de 36 anos. Na última sexta-feira (20/3), a moradora de Goiânia foi presa pela Polícia Militar em cumprimento a um mandado de prisão de 18 anos em regime fechado. O problema? O mandado era destinado à sua irmã gêmea, Luciene.

O erro ocorreu no âmbito de um processo que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com origem no Tocantins. Segundo o advogado de defesa, Kalleb Reis, o processo possui mais de 2,4 mil páginas e, em nenhuma delas, Lucilene é citada como investigada ou suspeita.

Parentesco usado como Armadilha

Ironia do destino, a única menção a Lucilene nos autos era justamente uma observação sobre o parentesco com a condenada, inserida no processo com o objetivo explícito de evitar equívocos. No entanto, na hora do cumprimento da ordem judicial, a semelhança física e os nomes quase idênticos falaram mais alto que a checagem dos dados biográficos.

"É uma sucessão de erros inadmissível. Não imaginamos que algo assim possa ocorrer na esfera judicial", desabafou o advogado Kalleb Reis ao Metrópoles.

Prejuízos Emocionais e Financeiros

Lucilene passou o fim de semana encarcerada. Além do abalo psicológico de ser tratada como criminosa de alta periculosidade, a empresária do ramo de buffets sofreu um duro golpe financeiro. Por estar presa, ela foi forçada a cancelar contratos importantes, incluindo um serviço para a etapa da MotoGP em Goiânia, e teve que devolver os valores aos clientes.

Liberdade Vigiada e Injusta

A liberdade de Lucilene só foi alcançada após uma força-tarefa da defesa para convencer um juiz de plantão em Goiás sobre o erro crasso. Contudo, a "solução" temporária ainda carrega o peso da estigmatização: Lucilene foi liberada mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

A inocente agora aguarda que o magistrado do Tocantins, responsável pelo caso original, reconheça formalmente o erro para que o equipamento seja retirado e seu nome limpo. Até lá, ela vive sob vigilância do Estado por um crime que jamais cometeu. O TRF-1 e a PMGO ainda não se manifestaram oficialmente sobre a falha no cumprimento do mandado.