Homem ignora sinais de tumor no cérebro achando ser dor de musculação
O inglês Sean Sweeney tinha 29 anos quando começou a sentir dores intensas no pescoço e um formigamento persistente no lado direito do corpo, em 2022. Como havia iniciado recentemente a prática de musculação, acreditou que os desconfortos estavam relacionados ao esforço físico. No entanto, os sinais eram, na verdade, sintomas de um tumor cerebral avançado que só seria diagnosticado meses depois.
Convencido de que se tratava de um problema muscular, Sean buscou sessões de fisioterapia, mas não obteve alívio. A virada no caso ocorreu em julho daquele ano, quando ele sofreu uma convulsão enquanto dormia. Sua esposa, Lucy, acionou imediatamente uma ambulância. Em menos de uma hora, uma tomografia computadorizada já apontava indícios de um tumor no cérebro.
Diagnóstico grave e mudanças rápidas na vida
Exames posteriores confirmaram que Sean tinha um astrocitoma de grau 3, um tipo agressivo e potencialmente fatal de glioma. Segundo o oncologista Fernando Maluf, esse tipo de tumor está entre os mais comuns a afetar primariamente o cérebro e costuma atingir pessoas jovens.
“Os tratamentos vêm evoluindo de modo importante, com avanços em técnicas cirúrgicas, radioterapia e novas medicações que atuam diretamente nos mecanismos de crescimento do tumor”, explica o médico, embaixador da campanha Isso é um Glioma.
O diagnóstico transformou por completo a vida de Sean. Em apenas duas semanas, ele decidiu se casar com Lucy, sua namorada há 12 anos, antes de passar por uma cirurgia de emergência para retirar o tumor.
Cirurgia complexa e AVC durante o procedimento
Sean foi submetido a uma craniotomia, permanecendo acordado durante as nove horas e meia em que os cirurgiões retiravam o máximo possível do tumor. Durante o procedimento, ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), mas o sangramento foi controlado, e ele conseguiu se recuperar com o auxílio de terapias de reabilitação.
Tratamento intenso e vida após o câncer
Além da cirurgia, Sean ainda enfrentou sessões prolongadas de radioterapia e quimioterapia ao longo de seis meses. Embora tenha respondido bem ao tratamento, ele continua convivendo com sequelas da doença.
“Terminar o tratamento não significa que tudo volta ao normal. Você ainda convive com as consequências, e para tumores de alto grau como o meu ainda não existe cura”, relatou.
Dois anos após o diagnóstico, Sean tenta retomar a vida gradualmente. Atualmente, dedica-se ao ciclismo e participa de eventos esportivos para arrecadar fundos destinados à pesquisa de novos tratamentos contra tumores cerebrais.
O sogro, Carl Hathaway, que também é seu companheiro nas provas, celebra a força e a perseverança do genro. “Ele respondeu bem ao tratamento e será acompanhado de perto nos próximos meses e, esperamos, anos. Estamos orgulhosos de Sean e de minha filha Lucy, por tudo o que enfrentaram com tanta coragem. Eles seguem aproveitando ao máximo cada dia”, declarou em uma campanha de financiamento coletivo.
A história de Sean se tornou um símbolo de alerta para o diagnóstico precoce e para a importância dos avanços constantes na medicina no combate aos gliomas.