Dormir mais de oito horas por noite pode estar ligado a maior risco de demência, aponta estudo
Dormir por longos períodos nem sempre é sinônimo de descanso de qualidade. Uma meta-análise revelou que pessoas que relataram dormir mais de oito horas por noite apresentam um risco 28% maior de desenvolver demência. Especialistas, no entanto, alertam que o excesso de sono não deve ser encarado como a causa do problema, mas pode ser um indicativo de alterações na saúde.
Além da associação com doenças que afetam o cérebro e outros sistemas do organismo, dormir mais do que o necessário também pode provocar efeitos imediatos, como dificuldade para raciocinar rapidamente, sensação de corpo dolorido e cansaço persistente.
Segundo especialistas, o sono excessivo também pode ser um sinal de doenças neurodegenerativas, depressão, apneia do sono e até mesmo doenças cardiovasculares.
O professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Alan Eckeli, explica que a quantidade de horas dormidas, sozinha, não é suficiente para indicar que uma pessoa está tendo um sono reparador.
"Aspectos como despertares frequentes durante a noite, dificuldade para atingir fases profundas do sono e a sensação de cansaço ao acordar também interferem na recuperação do organismo e na saúde cerebral. Por isso, passar mais tempo na cama não significa, necessariamente, obter os benefícios esperados do sono", afirmou o professor ao Jornal da USP.
CLIQUE AQUI PARA ENTRAR NO NOSSO GRUPO DE WHATSAPP
O especialista destaca que quantidade e qualidade do sono são fatores diferentes, mas complementares, e variam de acordo com cada indivíduo. Ainda assim, ele recomenda atenção a sinais como sonolência excessiva durante o dia, cochilos involuntários, dificuldade para manter a atenção, alterações de humor, irritabilidade e problemas de memória e concentração, que podem indicar que o sono não está adequado.
Qual é o tempo ideal de sono?
Com base na meta-análise publicada pela York University na revista científica PLOS One, Eckeli explica que há uma faixa de duração do sono mais frequentemente associada a melhores indicadores de saúde.
De acordo com o neurologista, pessoas que dormem menos de seis horas ou mais de nove horas por noite costumam apresentar maior associação com desfechos desfavoráveis. Em contrapartida, o intervalo entre sete e oito horas de sono aparece com mais frequência relacionado a menores riscos para a saúde e melhores resultados para o organismo.